A evolução do desenho das interfaces gráficas dos ambientes
computacionais foi marcada por diferentes momentos. Na década de 1950 esses espaços
se resumiam em painéis de controle do hardware, nas quais os usuários, engenheiros de
softaware, tinham que utilizar uma linguagem de programação para interagir com o
sistema. Na década de 1960 as instruções dirigidas ao computador eram fornecidas em
cartões perfurados (holleritt), no qual cada programa (em linguagem ALGOL, COBOL
e FORTRAN) estava conectado ao centro de processamento de dados para processar a
informação. Os resultados eram fornecidos em relatórios impressos.
Em 1963, a Tese de Doutorado de Ivan Sutherland, do MIT, resultou o
Stketchpad, primeiro programa a permitir o desenho de linhas e figuras em uma
interface gráfica. O processo se dava por meio do contato entre a tela do computador e
caneta ótica. O software é considerado o precursor das ferramentas CAD.
No período seguinte, até a década de 1980 ocorreu a introdução dos
microprocessadores, dos terminais e monitores em tela de fósforo, com linguagem de
comando em ambiente de tempo-compartilhado (BASIC). Era o surgimento dos
computadores caseiros e das primeiras aplicações para escritórios.
As interfaces passaram a apresentar desenho com representações
iconográficas a partir de 1984, no padrão de computadores Macintosh, da Apple
Computer Inc. Neste período as interfaces gráficas dos terminais informáticos eram
baseadas em janelas e acessadas por meio de periféricos de entrada, os populares
mouses.
O novo padrão gráfico permitiu a substituição da digitação dos complexos
comandos linguagem de programação, caracteres de cor verde dispostos em tela preta,
por ícones que, ao serem clicados, acionavam comandos operacionais ou arquivos.
Segundo Meirelles (1994) este ambiente, denominado GUI (Graphical User Interface)
ou WIMP (Window, Icons, Menus and Pointers), foi incorporado por praticamente
todos os sistemas operacionais e oportunizou o surgimento da comunicação gráfica.
Na década de 1990 até a atualidade, ocorreu a popularização das interfaces
hipermídia em softwares e nos ambientes WEB, como também a aplicação da
Computação Ubíqua e suas respectivas interfaces em dispositivos móveis. De acordo
com Weiser (1991) a Computação Ubíqua representa a interconexão de vários
computadores e dispositivos em rede sem fio, a partir de protocolos de comunicação,
que possibilitam o intercâmbio de informações entre infoeletrônicos (tablet PC, iPhone,
canetas óticas, Microsoft Surface) e redes presentes em cidades, ruas, edificações,
carros, etc. Uma reunião de mídias e tecnologias que permitiu a criação e expansão dosambientes hipermídia para ensinar e aprender.
O uso de computadores para a EaD envolve dois períodos distintos. O
primeiro, de 1970 a 1992, representa o uso dos máquinas interligadas em rede, que
proporcionaram o suporte e interconexão entre Universidades (Programmed Logic for
Automatic Teaching - PLATO e a rede criada pela National Science Foundation -
NSFNet), como o desenvolvimento de produtos comerciais destinados à educação
(Lotus Notes). Em 1987 os softwares educacionais eram denominados courseware.
Estes possuíam interfaces com gráficos em cores, hipertextos e sons, mas somente
forneciam o conteúdo de um computador para um indivíduo. Uma limitação abolida
pelo audiográfico: sistema que possibilitou a primeira conexão entre computadores para
instrução de grupos. Neles as imagens eram transmitidas a um computador por uma linha
telefônica e o áudio por outra. Os periféricos incluíam placas de dados e
canetas ópticas, câmeras para transmitir imagens por varredura lenta e
scanners para transmitir arquivos. Quando conectados por uma ponte, os
computadores permitiam a interação em tempo real entre alunos, professores,
mensagens de áudio e imagens gráficas e visuais. (MOORE, 2007:89)
Já o segundo, a partir de 1990, refere-se ao uso de computadores
interligados via web. A difusão de programas ocorreu em maior escala, a partir de 1993,
com a implantação do navegador Mosaic. Segundo Maddux (2001) em 1992 a web
continha somente 50 páginas, porém, em 2000 houve a ampliação para mais de 1 bilhão
de interfaces. Um crescimento também originado pela oferta de cursos on-line por
instituições como: New York Institute of Tecnology e Penn State University.
A participação das Instituições de Ensino Superior - IES brasileiras no uso
de TICs na educação a distância ocorreu somente na década de 1990, a partir da
implementação de políticas públicas e econômicas, de âmbito nacional e internacional,
que difundiram o computador como ferramenta capaz de alavancar a educação. Diante
disso, houve a criação da Universidade Aberta de Brasília em 1992 (Lei 403/92); em
1994 a expansão da internet no espaço acadêmico (1994); 1996 a primeira legislação
para educação a distância nas IES (Lei 9.394/96) que abriu espaço para a oferta dos
primeiros cursos de pós-graduação lato sensu via internet, em 1998, e para o nascimento
da Universidade Virtual no Brasil.
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